Construindo o conhecimento 2024 | Concrete Show
Painel no Concrete Show 2024 sobre como a Inteligência Artificial impulsiona eficiência operacional e inovação na construção civil, destacando o papel estratégico dos dados, a integração IA + BIM, copilotos em obra, cultura organizacional e os riscos de automatizar sem base estruturada.
Inteligência artificial na eficiência operacional e inovação da construção civil
Em setembro de 2024, tive a oportunidade de participar do congresso Construindo o Conhecimento, promovido pelo Concrete Show em São Paulo. Dividi o palco com Vitor Sousa (Distrito), Mauricio Nichterwitz (Deloitte) e Eduardo Cavalcanti (Bisnis Hub) em um painel sobre o impacto da Inteligência Artificial na eficiência operacional e na inovação da indústria da construção.
A tese central não foi sobre ferramentas. Foi sobre a matéria-prima que alimenta qualquer sistema inteligente: dados.
Dados são a nova moeda do mercado
A IA se insere não como varinha mágica, mas como extensão da capacidade analítica das equipes. E toda extensão precisa de combustível. Sem dados estruturados, não há inteligência—há ruído.
Dado mal formatado mata a IA de qualquer obra. A máquina processa. O profissional estrutura. Inverter essa lógica é o primeiro erro de quem tenta automatizar sem fundamento.
O que debatemos na prática
Estruturação de dados: a qualidade da informação determina a qualidade do output—IA não corrige base mal construída
Integração IA + BIM: já existem soluções que conectam modelagem BIM com inteligência artificial, aumentando previsibilidade em diferentes fases do planejamento
Copilotos em obra: sistemas de IA que assistem profissionais na execução de tarefas, fornecendo recomendações e automatizando processos repetitivos
Capacitação e letramento: começar pelo simples—substituir pesquisas no Google por interações com ChatGPT ou Gemini, refinando prompts com o tempo
Cultura antes de tecnologia: processo, pessoas, tecnologia e cultura—sem cultura para sustentar o trabalho, a implementação não se sustenta

Os limites que precisam ser ditos
Mostrei o que funciona. E mostrei, deliberadamente, o que falha.
O maior risco não é a IA errar. É o profissional confiar em outputs sem verificar a base que os gerou. Dado inconsistente gera resposta inconsistente—com aparência de precisão.
Uma pergunta que ficou no ar
→ A primeira construtora que conseguir colocar IA no seu processo vai sair na frente e pegar uma grande fatia do mercado. Quem não chegar em 2030 colocando IA no seu dia a dia vai virar uma Blockbuster.
Não tenho resposta definitiva sobre o prazo. Mas tenho a convicção de que o letramento em IA deixou de ser diferencial para se tornar pré-requisito—tanto para profissionais quanto para empresas.
Agradecimentos
Obrigado a Vitor Sousa, Mauricio Nichterwitz e Eduardo Cavalcanti pela troca e pela profundidade do debate. Conversas assim constroem mais do que eventos—constroem referências.
E você: sua equipe já estrutura dados pensando em alimentar sistemas inteligentes, ou ainda trata informação como subproduto do processo?
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Sérgio Salles é arquiteto, gestor de projetos e professor na PUC Minas. Atua no desenvolvimento, coordenação e pesquisa aplicada em construção industrializada, integrando engenharia, método e tecnologias emergentes na construção civil. Saiba mais sobre sua trajetória em projetos e obras.