Diário de obra
Relato de três décadas atuando em projetos industriais, centros de distribuição e obras de grande porte, com foco em coordenação multidisciplinar, construção industrializada e decisões que transformam projetos em obras executadas.
Trajetória em projetos industriais e coordenação multidisciplinar
Trinta anos atrás, um dos primeiros projetos chegou com um nome pesado: Teksid do Brasil. Era década de 1990, em plena transição das réguas e pranchetas para o CAD, e a responsabilidade de projetar para uma indústria daquele porte ensinava rápido. Ensinava muito.
Na SGO Construções, por cerca de oito anos, a escala mudou. Assumi a gestão da equipe de projetos de uma construtora especializada em parques logísticos, indústrias, centros de distribuição, supermercados e atacarejos. Foram mais de 70 empreendimentos em âmbito nacional. Entre eles, os primeiros projetos da Log Commercial Properties — hoje uma das líderes do setor no Brasil. CDs da Votorantim em Campinas, Goiânia e Araraquara. Arcor em Campinas. CD Araújo. Supermercados como o Martminas em Governador Valadares e o Carone em Serra, no Espírito Santo. [mais informações e projetos coordenados]
Cada projeto trazia seu próprio desafio. Cada cliente, sua própria lógica.
Na Premo Construções Industrializadas — pioneira no Brasil em construção industrializada, com mais de 55 anos de atuação — o salto foi para a gestão executiva. Em três anos, vivi o melhor momento da empresa: 2013 foi o ano de maior faturamento de sua história. Gerenciava um departamento de engenharia com 17 profissionais, adequando soluções pré-fabricadas em concreto e estruturas mistas para dezenas de empreendimentos industriais, comerciais e de infraestrutura. A fábrica da BIOMM em Nova Lima. A Nestlé em Montes Claros. Shoppings como o de Contagem. Equipamentos urbanos como a estação do BRT São Gabriel. E obras especiais que exigiam outro nível de precisão — o Velódromo Olímpico no Rio de Janeiro e o Estaleiro Jurong.
Projetos assim não perdoam improviso.
[leia um relato sobre o período na PREMO]
Pela AGL, apoiei obras como a Feluma em Belo Horizonte, CD dos Correios em Contagem e a Zebu Carnes em Uberaba, além da coordenação e desenvolvimento dos projetos do Supermercados BH em Ibirité.
Em parceria com o arquiteto Leonardo Rotsen, desenvolvemos o Masterplan da Parex Indústria Mecânica, em Vazante (MG). No meio do terreno, uma linha de transmissão. Não dava para mover. Criatividade e técnica tiveram que contornar.
O Upper Mall Sion (BTS Properties), coordenado para a Construtora Mello Azevedo, trouxe um desafio inesperado: a pandemia de Covid-19 — com prazo contratual inegociável para entrega às âncoras Decathlon, Cobasi e Burger King. Coordenar projetos multidisciplinares com equipes remotas e incertezas sanitárias exigiu adaptação rápida. Funcionou.
Junto à Eixo Projetos, desenvolvi um parque logístico em Ribeirão das Neves e as unidades da Komatsu em Parauapebas e Contagem. A Komatsu, empresa japonesa, trouxe um desafio de outra natureza: diversas instâncias de aprovação no Brasil e no exterior, num processo que durou quase cinco anos. O primeiro resultado já opera — a unidade de Parauapebas. A de Contagem está em construção. [mais informações sobre os projetos da Komatsu]
Com o Arquiteto Marcelo Sena na Next Arquitetura, desenvolvemos estudos e projetos de centros de distribuição logística. Atendemos a Valmet (empresa finlandesa) em sua nova unidade industrial de Vespasiano (MG), elaboramos estudos de viabilidade de centros comerciais e a nova unidade administrativa da Rouxinol Turismo, em Belo Horizonte.
São três décadas de projetos que saíram do papel e viraram galpões, fábricas, centros de distribuição, arenas. De clientes que voltaram. De problemas que ensinaram tanto quanto os acertos.
A trajetória continua.
Sérgio Salles
Arquiteto e Coordenador de Projetos