IA na construção civil: o profissional e a máquina
Palestra no Mastermind Obras Milionárias sobre como a IA redefine a divisão de trabalho na construção civil, automatizando tarefas repetitivas enquanto preserva o julgamento crítico do profissional. Aplicações práticas, limites e riscos
Em julho de 2025, participei do Mastermind Obras Milionárias no Hotel Fasano, em Belo Horizonte, ao lado do Prof. Hugo Matos. O evento reuniu arquitetos, engenheiros e gestores de obras de alto padrão de todo o Brasil, a convite do arquiteto Leonardo Rotsen.
O tema da palestra: Inteligência Artificial aplicada à Construção Civil.
A tese central não foi sobre ferramentas. Foi sobre divisão de trabalho. A IA se insere não como ameaça ao profissional, mas como camada de automação que libera tempo para o que realmente importa—a lógica projetual.
Máquina documenta. Profissional julga.
Essa distinção orientou toda a apresentação.
A máquina transcreve reuniões. Consulta normas técnicas. Gera estudos volumétricos. Produz imagens de referência.
O profissional interpreta contextos. Pondera alternativas. Toma decisões. Assume responsabilidade.
Cada ferramenta demonstrada reforçou essa divisão. A automação cuida do repetitivo. O julgamento permanece humano.
O que demonstramos na prática
Percorremos três frentes de aplicação:
Levantamento de dados: GPTs customizados para elaboração de briefings e programas de necessidades. Lovable, ferramenta de vibe-coding, para criação de um protótipo de sistema de briefing inteligente.
# falo sobre a experiência de criar um protótipo no Lovable em um artigo.
Tactiq para transcrição e síntese de reuniões—atas de mais de uma hora processadas em menos de cinco minutos. CodeComply.AI e Target IA para consulta automatizada a legislação urbanística e normas da ABNT.
Integração e automação: Finch 3D, Spacio e Autodesk Forma para viabilidade volumétrica com análise de parâmetros urbanísticos em tempo real.
Visualização arquitetônica: Prome AI e ArchiVinci para geração de imagens a partir de croquis e prompts de texto. Do esboço à imagem realista em minutos.
Os limites que precisam ser ditos
Mostrei o que funciona. E mostrei, deliberadamente, o que ainda falha.
A curva de aprendizado é real. Ferramentas exigem investimento em tempo, licenças e infraestrutura. Modelos mal configurados geram resultados que parecem corretos, mas falham na construtibilidade.
O maior risco não é a tecnologia. É a tentação de delegar o julgamento junto com a tarefa.
Uma pergunta que ficou no ar
→ Como formar a próxima geração de arquitetos e engenheiros para usar IA sem perder a capacidade de avaliar criticamente o que ela entrega?
Não tenho resposta definitiva. Mas tenho a convicção de que o domínio técnico sobre as ferramentas precisa vir acompanhado de repertório projetual sólido.
O debate contou com a participação dos engenheiros Matheus Emerich e Estevão Farkasvolgyi, além do arquiteto Leonardo Rotsen, trazendo perspectivas valiosas sobre esse equilíbrio entre automação e autonomia profissional.
A frase que encerrou a palestra resume a posição:
Você não será substituído pela IA. Mas pode ser substituído por quem domina as ferramentas de IA.
Obrigado ao Leonardo Rotsen e à equipe do Mastermind Obras Milionárias pelo convite e pela confiança.
Material de divulgação: Mastermind Obras Milionárias
E você: está formando seu repertório técnico para usar IA como extensão—ou está delegando o julgamento junto com a tarefa?
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Sérgio Salles é arquiteto, gestor de projetos e professor na PUC Minas. Atua no desenvolvimento, coordenação e pesquisa aplicada em construção industrializada, integrando engenharia, método e tecnologias emergentes na construção civil. Saiba mais sobre sua trajetória em projetos e obras.