Podcasti - um bate papo sobre arquitetura, IA, construção industrializada e patrimônio.
Participação no episódio #14 do PODICASTI sobre o que já está mudando na arquitetura brasileira: IA na prática, limites da automação, construção industrializada, patrimônio urbano e o papel crítico do arquiteto diante de tecnologias que geram, mas não julgam.
Em outubro de 2025, dividi o microfone com Marcelo Sena no episódio #14 do PODICASTI. Antonio Bortoletto, Lúcio Aleixo e Lucien Newton conduziram uma conversa sem filtro sobre o que realmente está mudando na arquitetura brasileira.
A discussão não foi sobre o futuro distante. Foi sobre transformações que já estão em curso—e exigem posicionamento agora.
A IA é um ótimo estagiário. Que erra.
A inteligência artificial chegou ao setor antes do previsto. Desde 2018, a IA impacta processos em meus fluxos de trabalho na coordenação e desenvolvimento de projetos arquitetônicos. Uma renderização que levava quatro dias pode ser gerada em minutos.
Mas a IA também alucina. Produz imagens convincentes que não sobrevivem à análise técnica. Oferece soluções que ignoram normas, contexto, construtibilidade.
A máquina gera. O arquiteto julga.
Quem delega o julgamento junto com a tarefa assume riscos que a ferramenta não calcula.
Construção industrializada: resposta à escassez
A mão de obra saiu do canteiro e foi dirigir, entregar e se conectar por aplicativos. A construção reagiu como pôde: industrialização — pré-moldados, steel frame, estruturas metálicas e, agora, impressão 3D.
A solução mais inteligente combina tecnologias. Um centro de distribuição pode usar concreto pré-fabricado na estrutura, aço na cobertura, steel frame nos escritórios. Cada material onde performa melhor.
O cliente corporativo exige três coisas: preço, agilidade, qualidade. Sistemas híbridos entregam as três.
Patrimônio não é entrave. É ativo.
Com Marcelo, abordamos a preservação como estratégia econômica. Cidades que mantêm escala e ritmo urbano geram turismo, cultura, identidade. A Savassi em Belo Horizonte é exemplo: o aconchego vem da proporção preservada.
O desafio está em intervir com decoro. Linguagem moderna, respeito ao contexto.
→ Como formar profissionais que dominem IA, BIM e sistemas industrializados sem perder a capacidade de ler contextos históricos e culturais?
Não tenho resposta completa. Mas tenho a convicção de que repertório técnico sem visão humanística produz projetos eficientes que ninguém quer habitar.
Obrigado a Antonio, Lúcio e Lucien pela conversa franca. E a Marcelo pela parceria na Next Arquitetura—nossa proposta para o mercado B2B que precisa de velocidade sem abrir mão de critério.
E você: sua equipe está se preparando para integrar IA aos processos—ou ainda trata a ferramenta como ameaça?
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Sérgio Salles é arquiteto, gestor de projetos e professor na PUC Minas. Atua no desenvolvimento, coordenação e pesquisa aplicada em construção industrializada, integrando engenharia, método e tecnologias emergentes na construção civil. Saiba mais sobre sua trajetória em projetos e obras.